Frente clínica

Retinopatia Diabética o exame que não espera o sintoma

O diabetes pode alterar os vasos da retina por anos sem que a visão mude. Examino a retina inteira e registro o ponto de partida, para tratar no momento certo e em sintonia com quem cuida do seu diabetes.

Dr. Thiago Barros de OliveiraMédico oftalmologista · CRM-CE 17.503 · RQE 11.842

  • O essencialO diabetes pode afetar os vasos muito finos que nutrem a retina.
  • AtençãoNo início não há dor nem perda de visão. Enxergar bem não descarta a doença.
  • O cuidadoExame periódico do fundo do olho, com intervalo definido pelo estágio.
Em uma frase

O que é a retinopatia diabética

É a alteração dos vasos da retina causada pelo diabetes. Ela costuma começar em silêncio, e o exame periódico existe para encontrá-la antes que atinja a visão central.

O diabetes pode afetar os vasos muito finos que irrigam a retina. Essa alteração costuma começar em silêncio, sem dor e sem queda de visão, e pode avançar por anos antes de ser percebida pela pessoa.

É por isso que o exame de fundo de olho faz parte do cuidado de quem convive com diabetes, e não apenas de quem já notou alguma mudança. Quando a alteração é identificada cedo, existem mais caminhos disponíveis do que quando ela já comprometeu a visão central.

Informação, não diagnósticoCada sintoma pode ter causas diferentes. A relação entre sinais, exames e diagnóstico só é definida em uma avaliação individual.

Uma doença silenciosa

Cinco estágios, e poucos sintomas

Arraste o controle e compare o que acontece no fundo do olho com o que a pessoa sente.

Estágio 1 de 5

Sem retinopatia aparente

No fundo do olho
Os vasos da retina aparecem íntegros no exame.
O que a pessoa sente
Nada. A visão é normal.
O que costuma ser feito
Exame periódico e controle clínico. É o melhor momento para registrar o ponto de partida.
Estágio 2 de 5

Não proliferativa leve

No fundo do olho
Surgem pequenas dilatações na parede dos vasos, chamadas microaneurismas.
O que a pessoa sente
Em geral, nada.
O que costuma ser feito
Acompanhamento, com intervalo definido na consulta, e cuidado com glicemia, pressão e lipídios.
Estágio 3 de 5

Não proliferativa moderada

No fundo do olho
Aparecem pontos de sangramento e depósitos na retina. O edema da mácula pode surgir nesta fase ou em qualquer outra.
O que a pessoa sente
Muitas vezes nada. Se houver edema macular, a visão central pode embaçar.
O que costuma ser feito
Seguimento mais próximo, com imagem das camadas da mácula.
Estágio 4 de 5

Não proliferativa grave

No fundo do olho
Há sangramentos em várias regiões e trechos da retina sem irrigação adequada.
O que a pessoa sente
Ainda pode não haver sintoma, apesar do risco maior de progressão.
O que costuma ser feito
Retornos em intervalos curtos. O tratamento pode ser indicado para reduzir o risco de avançar.
Estágio 5 de 5

Proliferativa

No fundo do olho
Vasos novos e frágeis crescem sobre a retina. Eles podem sangrar dentro do olho e tracionar a retina.
O que a pessoa sente
Pontos flutuantes, visão embaçada de repente ou perda visual.
O que costuma ser feito
Laser, medicação dentro do olho e, em alguns casos, cirurgia.

Esquema didático do fundo do olho. Não é imagem de exame. O estágio de cada pessoa só é definido no exame com a pupila dilatada.

nervo ópticomáculaSem retinopatia aparente

Quando examinar a retina

Para quem convive com diabetes, a pergunta não é se deve examinar, e sim com que frequência.

  • Diagnóstico de diabetesMesmo sem qualquer sintoma visual.

  • Visão que oscilaMuda conforme o dia ou o nível de glicemia.

  • Pontos flutuantes ou embaçamentoQue aparecem de repente.

  • Mancha no centroUm borrão que atrapalha a leitura.

  • GravidezEm quem convive com diabetes, muda o ritmo do acompanhamento.

Perda visual súbitaVisão que embaça de repente ou muitos pontos flutuantes novos pedem avaliação rápida.

Falar com a equipe
Cuidado compartilhado

O olho faz parte do cuidado com o diabetes

O curso da retinopatia acompanha o controle clínico. Por isso o cuidado é feito em conjunto com a equipe que acompanha o diabetes.

GlicemiaO controle ao longo do tempo influencia diretamente o curso da retinopatia.
Pressão arterialFaz parte do mesmo cuidado, junto com colesterol e triglicerídeos.
Tempo de diabetesEntra na estimativa do risco para os olhos, ao lado do controle clínico.
Rins e gravidezA função dos rins e a gravidez mudam o risco e o intervalo entre os exames.

Os exames que definem o estágio

Nenhum exame diagnostica sozinho. Juntos, eles dizem em que ponto a retina está e quando voltar.

A pergunta que ele responde

Existe alguma alteração na periferia da retina?

Mapeamento de retina

Exame do fundo do olho com pupila dilatada, que percorre também a periferia da retina.

A pergunta que ele responde

Como estão as camadas da retina?

Tomografia de coerência óptica

Mede o edema da mácula em micrometros e acompanha a resposta ao tratamento ao longo do tempo.

A pergunta que ele responde

Como o fundo do olho está hoje, para comparar depois?

Retinografia

Documenta o estágio encontrado e permite comparação objetiva entre consultas.

A pergunta que ele responde

Como está a circulação da retina?

Angiografia e angio-OCT

Mostram a circulação da retina e as áreas sem irrigação adequada, quando essa informação muda a conduta.

O que pode ser feito, e quando

Quando a alteração é identificada cedo, existem mais caminhos disponíveis.

  1. Cuidado compartilhado

    O controle de glicemia, pressão e lipídios é conduzido com a equipe clínica e influencia diretamente o curso da retinopatia.

  2. Laser

    Aplicado em áreas específicas ou de forma mais ampla, conforme o estágio, com o objetivo de reduzir o risco de progressão.

  3. Medicação intravítrea

    Aplicações dentro do olho são usadas no edema macular e em parte das formas proliferativas, em esquema acompanhado por imagem.

  4. Cirurgia

    Indicada em hemorragia que não se resolve, tração sobre a retina e descolamento associado ao diabetes.

Cada caso tem um próximo passo diferente.

Entender meu próximo passo
Dr. Thiago Barros de Oliveira
Dr. Thiago Barros de OliveiraCRM-CE 17.503 · RQE 11.842 · Oftalmologia
Quem acompanha você

Um olhar antes do sintoma

Muitas pessoas chegam ao consultório quando a visão já mudou. Com quem convive com diabetes, meu objetivo é o contrário: examinar antes, registrar o ponto de partida e acompanhar em sintonia com a equipe que cuida do diabetes.

  • FellowshipRetina e Vítreo no CLDO, Centro de Laser e Diagnose Ocular, de 2021 a 2023.
  • PublicaçãoCoautor do capítulo sobre Tomografia de Coerência Óptica, o exame que mede o edema da mácula.
  • EnsinoMestrado e docência universitária na Unichristus.
Perguntas frequentes

Dúvidas que aparecem na consulta

Enxergo bem. Ainda preciso examinar a retina?

Sim. A retinopatia diabética costuma começar sem sintoma. O exame periódico existe justamente para encontrar a alteração antes que ela atinja a visão central.

Com que frequência devo voltar?

O intervalo depende do estágio encontrado no exame e de fatores como o controle metabólico e a gravidez. Ele é definido na consulta e revisto a cada retorno.

Se eu controlar o diabetes, a retinopatia melhora?

O controle influencia o ritmo da doença e é parte do tratamento. Alterações já instaladas podem exigir conduta própria, e as duas coisas caminham juntas.

A injeção no olho dói?

O procedimento é realizado com anestesia local. O desconforto e os cuidados posteriores devem ser explicados antes, junto dos riscos e da frequência esperada.

Controlar o diabetes ajuda mesmo?

Sim. O controle da glicemia e da pressão arterial influencia diretamente a evolução do edema e a resposta ao tratamento.

Próximo passo

Convive com diabetes? Conheça o ponto de partida da sua retina

Traga seus exames recentes, a lista de medicações e, se tiver, exames de retina anteriores.

  • CLDO, Centro de Laser e Diagnose OcularRua Ildefonso Albano, 1373, Aldeota, Fortaleza.

  • De segunda a sábado, com horário marcadoDia e horário são confirmados com a equipe.

  • Convênio ou particularConfirme a cobertura do seu plano no agendamento.